Jardim de trama atlântica

Por baixo das camadas de concreto e cimento, construções, rodovias e barragens, a terra continua sua história. Anterior e mais profundo que os recentes efeitos civilizatórios, o verde não cessa: ele vive, dá mostras de sua força, reclama seu espaço.

De vegetação profusa, grandiloquente, a mata atlântica estende seu domínio a grande parte da costa brasileira. É vasta, rica; também é úmida e intensamente verde, intensamente viva. A devastação ainda é um risco ao bioma; mantê-lo, ainda que em uma pequena porção de terra, permite não esquecer. quer lembrar.

O jardim de trama atlântica é um pequeno resgate da memória. Interrupção, ainda que breve, no concreto, é também um lugar onde a história ancestral da terra se faz presente; deixar brotar é um desejo do solo.

Nesta proposta, as grandes árvores não aparecem isoladas, monumentos retirados de seu tempo: elas fazem sombra a plantas menores, ao chão recoberto por espécies rasteiras, acolhem em seu corpo espécies que ali se desenvolvem naturalmente.

O resultado não é exclusivamente ornamental. Trata-se de uma arquitetura natural que reestabelece em menor escala o funcionamento de um complexo ecossistema; provenientes da mata atlântica, as espécies interagem entre si, atraem a fauna nativa da região. O aspecto e os efeitos são o de floresta: vedélias, bromélias, orquídeas, caladiums, embaúbas, juçaras, guaimbês, singônios, costelas-de-adão, helicônias, manacás; com a sua trama, trazem beleza, reestabelecem a umidade natural, chamam a vida ao redor ao seu habitat.

O jardim de trama atlântica prova a resiliência da natureza e convida o ser humano a dela fazer parte – basta um pedaço de chão.

Sumaúma

Paisagismo Natural

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