Jardim dos sabores

Não é sem razão o que a natureza dá: há uma conexão sutil entre o mundo e os seres que nele habitam, há um ritmo entre as coisas, há fim e (re)começo. Colher o que vem da terra, transformar em alimento, consumi-lo, retornar ao solo, dele novamente colher.

Esse ciclo está excluído da vida urbana. Interferir em seu funcionamento tem um preço: desde o crescimento da indústria alimentícia, que hoje visa a produção em escala larga e lucrativa, até a logística da entrega de perecíveis e do descarte de embalagens, passando pelas relações de trabalho, pelas tensões em toda a cadeia; algo se perde quando não se está implicado naquilo que chega à boca, ao corpo, à própria casa.

Há questões incontornáveis ao cultivo do próprio alimento, como tempo e espaço para o plantio, mas o elo não precisa ser complemente rompido. Isso mostra.

Alimentar-se talvez seja um dos rituais mais antigos da humanidade. Hoje, mais do que nunca, optar por essa reconexão é um ato de ampla dimensão: é retomar a autonomia sobre o que se põe à mesa.

Um jardim-pomar traz uma gama de plantas comestíveis – hortaliças, árvores frutíferas, temperos, ervas medicinais. O projeto de traz conhecimento sobre o cultivo e manutenção, leva em conta todo o ciclo de produção: o solo é trabalhado como um organismo vivo. Manejá-lo observando esse princípio requer uma atenção para além do imediatismo do consumo; promove-se a adubação verde, matéria orgânica é agregada, a diversidade das espécies é cuidadosamente pensada, e a tudo se soma mecanismos adequados de irrigação.

Mandioca, inhame, taioba, babosa, pancs (Plantas Alimentícias Não Convencionais), banana, mamão, laranja, abóbora, no jardim-pomar, são mais que produtos disponíveis – são alimentos resultantes de contato, saber e respeito com a natureza e seus ciclos.

Sumaúma

Paisagismo Natural

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